domingo, 21 de dezembro de 2008

Refelexão Sobre o Luar

Esta foi uma critica que escrevi sobre a obra dramatica de "Felizmente Há Luar", quando me foi pedido por a minha professora de portugues e como se relaciona com o objectivo deste blog, achei pretinente em o colocar aqui! Leiam-no e comentem-no!
Reflexão sobre o LuarTodos nós somos mundos de sentimentos e ideias que como um turbilhão se revolvem dentro das nossas cabeças, da nossa mente. A leitura é uma porta de entrada para novos sentimento, novas emoções e também um catalisador para a germinação de novas ideias ou um reforço de ideias antigas.Assim lendo, e assistindo à peça dramática Felizmente há luar, á certos sentimentos que não posso deixar de sentir, como por exemplo a admiração pela personagem de Matilde, alguém com força e coragem, para se rebaixar ao ponto de implorar pela vida de alguém que lhe é especial.No entanto não é esta a personagem que me provoca o sentimento mais forte, sendo que não é a própria personagem mas aquilo que ela representa. Principal de Sousa, actua nesta peça como um representante de um órgão que teve e ainda tem grande poder nas consciências das pessoas e no modo destas de agir e de se comportarem. Por tal, por ser este órgão merecido de uma visão e avaliação, vai ser este o aspecto em que me vou centrar em toda esta critica, tentando não fugir dos limites da que a obra impõem, pois este trabalho é referente a ela e não a outros aspectos exteriores.Ao longo do desenrolar da acção podemos observar, de imediato, que a igreja exerce o seu poder através da ignorância dos outros e através da crença dos mesmos. Para a igreja um bom crente e seguidor de Cristo é aquele que desconhece a verdade e que peca, pois se não o fizesse não haveria motivos para a igreja colocar as suas privações nos outros. O clero precisa que os seus crentes cometam pecados pois assim terão poder sobe estes, e o conhecimento, é um pecado atroz para a igreja.Tendo em conta o modo de agir de Principal de Sousa, podemos rapidamente fazer uma imagem daquilo que ele represente. Principal de Sousa é alguém douto, embora dogmático, talvez sinta um pouco de remorso por aquilo que tem que fazer, mas no entanto, como todo o bom padre, compensa esse remorso pensando naquilo que pode vir atingir, assim era a igreja naquele tempo. Era benevolente, até sentir que o seu estatuto superior estivesse a ser ameaçado, era misericordiosa excepto quando o seu poder era abalado. Principal de Sousa reúne estas características, pois embora relutante em condenar e acusar o General Gomes Freire, acabou por faze-lo para o bem do Estado e o seu próprio bem.Mas pessoas como estas existem em todos os lugares, a questão é: deveríamos culpar estas pessoas por agirem como agem?Bem a meu ver, não são estas as verdadeiras culpadas, embora manipulem as pessoas através da sua fé, embora usem a religião como um modo de controlo e de obtenção de poder sobre outros, todos nós temos oportunidade de escolha, somos livres de escolher. O povo é ignorante porque assim o que ser e assim o escolheu ser. Preferimos idolatrar e esperar que sejam outros a fazer aquilo que tem que ser feito do que fazermos nós mesmos. Os populares preferem apelar ao General, idolatra-lo do que seguir o seu exemplo e lutar pelo seu próprio bem, pelas suas próprias vontades.Assim era a mente fraca das pessoas em 1817, assim era a mente da maior parte dos populares de 1962 e assim é a mente dos portugueses de hoje em dia. Esperar que sejam outros a fazer aquilo que tem que ser feito e se algo foi mal feito a culpa é se quem o fez e não de quem não teve coragem para o fazer. Esta característica é anexa à personagem Sousa Falcão e a todos os outros populares. Podemos ter aqueles que são conscientes do que se passa à sua volta, mas se não tiverem a coragem de agir, actuar, então são tão cobardes e inúteis como todos os outros.Por mais regimes que um país possa ter, não são eles que fazem ou definem uma nação, mas sim as pessoas e os habitantes que nele se integram. Devemos tomar a obra Felizmente Há Luar não só como uma mensagem para passar ao povo português o que se passava durante a ditadura salazarista, mas devemos sim, pensar e reflectir sobre os assuntos nela retratados, pois foi essa a ideia do autor, que nós pensasse-mos, reflectisse-mos sobre ela. Por mais altos que sejam os postos daqueles que nos regem, não significa que terão todo o poder sobre o país, não devemos esperar que as coisas sejam feitas pelos outros e não devemos atribuir tal responsabilidade a alguém, só porque não temos coragem para a aceitar. Pois foi tal responsabilidade, tal admiração que levou General de Gomes Freire à fogueira, foi esse centrar de esperanças, esse idolatrar que chamou a atenção dos governantes e que assim fez dele um alvo fácil.Não devemos perguntar o que o país pode fazer por nós, mas em vez disso, devemos perguntar o que é que podemos fazer pelo nosso país? Fernando Pessoa tentou, eu tento todos os dias, mas esta nação portuguesa já não tem o esplendor mencionado no seu hino.

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